Pular para o conteúdo principal

Encontrando a equação da reta tangente à uma curva num ponto $x_0$

 Uma aplicação muito interessante sobre derivadas nos permite encontrar, de forma bastante simples, a equação da reta tangente à uma curva num dado ponto $(x_0,y_0)$. Neste texto, irei mostrar de forma muito simples como podemos encontrar a equação tangente à uma curva qualquer num certo ponto $x_0$. Observe o gráfico abaixo.

                                            Fonte: respondeai.com.br/calculo

O gráfico acima apresenta uma curva $f(x)$ e uma reta que tangencia essa curva no ponto $P$, que possui coordenadas $(x_0,y_0)$. Do cálculo diferencial e integral, sabemos que a inclinação da reta tangente com relação ao eixo $x$ representa a derivada de $f(x)$ com relação a variável $x$. A inclinação $m(x_0)$ da reta pode ser calculada por $$m = \frac{∆y}{∆x}=\frac{y-y_0}{x-x_0}$$ e, como a inclinação representa justamente a derivada, concluímos que $m(x_0) = f'(x_0)$ no ponto $x_0$.

A equação tangente à curva no ponto $P$ pode ser escrita em sua forma reduzida, e que, genericamente, é escrita como $y = mx + n$, sendo $m$ o coeficiente angular (inclinação) da reta. Finalmente, temos tudo o que é necessário para encontrar uma reta tangente a uma curva $f(x)$ num dado ponto. Considere a função $f(x) = 3x^2 - 4x +1$. Qual é a expressão da reta que tangencia ess curva no ponto $x=2$?

Para resolver isso, primeiro precisamos saber qual é o ponto $y$ correspondente ao ponto $x$ e, para isso, basta substituir $x=2$ em $f(x)$, ou seja, $$f(2) = 3(2)^2 - 4\cdot 2 +1 = 5$$ e, derivando $f(x)$ com relação à $x$, obtemos $$f'(x) = 6x -4$$ e, para descobrir o valor de $m$, basta substituir $x=2$ em $f'(x)$, que resulta em $f'(2) = 6\cdot 2 - 4 = 8$. Rearranjando os membros da primeira expressão, podemos escrevê-la na forma que desejamos (forma reduzida), ou seja, $$y - y_0 = m(x - x_0)$$ e, por fim, para determinarmos a tangente de $f(x)$ no ponto $x_0 = 2$, basta substituirmos esses valores na expressão acima, que resulta em $$y - 5 = 8(x - 2)$$ $$y = 8x - 11$$ que é a expressão desejada. Para colocar a equação em sua forma geral, basta passar todos os termos para o primeiro membro da equação, ou seja, $$8x -y +11 = 0$$ Uma outra aplicação interessante é determinar a reta perpendicular (ou normal) à tangente nesse ponto, mas isso será tema para uma outra postagem.


Referências Bibliográficas

LEITHOLD, Louis. O cálculo com geometria analítica, vol. 1, editora harbra ltda. São Paulo. 685p.

STEWART, James; ROMO, Jorge Humberto. cálculo. Cengage Learning, 2017.
 
 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Método de Separação de Variáveis (EDP's)

  Uma equação diferencial nada mais é do que uma equação que contém derivadas em seus termos. Existem dois tipos de equação diferencial: as equações diferenciais ordinárias , que são aquelas que possuem funções que dependem apenas de uma variável, e as equações diferenciais parciais , cujas funções dependem de mais de uma variável. A 2ª lei de Newton, que matematicamente é escrita como sendo $F = ma$, é um exemplo de equação diferencial. Considerando que a força é a derivada do momento linear em função do tempo e que a aceleração é a derivada da velocidade em relação ao tempo, podemos escrever a 2ª lei de Newton da seguinte forma: $$\frac{\, dp}{\, dt} = m\frac{\, dv}{\, dt}$$ onde a derivada no primeiro membro da equação representa a força resultante e a derivada no segundo membro representa a aceleração. A maioria dos problemas em física envolve a resolução de equações diferenciais. No entanto, dada a complexidade de modelagem dos fenômenos, o número de variáveis envolvidas pode ...

O lado oculto da Lua

  Você muito provavelmente já deve ter ouvido falar no "lado oculto da Lua", ou, mais especificamente, no "lado escuro da Lua". A cultura popularizou esse termo através de filmes, histórias, canções (como o famoso álbum de 1973 de Pink Floyd), no entanto, não é correto falar em lado escuro da Lua, pois ambos os lados são iluminados pela luz do Sol. O que acontece, de fato, é que a Lua possui um lado que não conseguimos ver; repare que, ao longo do mês, sempre vemos a Lua com um mesmo aspecto visual, e isso pode ser melhor visualizado na figura abaixo. A foto da esquerda é a face da Lua que podemos observar. Perceba que a principal diferença entre ambas as faces é o fato de que o lado oculto (foto da direita) possui uma quantidade bem menor das imensas manchas escuras que o lado visível possui, que nada mais são do que registros do passado geologicamente ativo do nosso satélite. No entanto, a dúvida que fica é: se a Lua gira em torno de si mesma, porque vemos apenas ...

Função par e função ímpar

As funções matemáticas podem apresentar uma variedade muito grande de propriedades. Uma propriedade que é muito interessante é chamada de "paridade", que classifica as funções como sendo par ou ímpar. A paridade de uma função nos ajuda a determinar como será o comportamento gráfico dessa função para determinados valores de $x$, pois funções pares exibem uma simetria com relação ao eixo $y$, enquanto funções ímpares possuem uma simetria com relação à origem do sistema cartesiano. Vejamos isso em mais detalhes nos tópicos abaixo. Função par Uma função $f(x)$ é dita "par" se, e somente se, $f(x) = f(-x)$ para todo $x$ referente ao domínio da função. Ou seja, se substituirmos $x$ em $f(x)$ por $-x$, obtemos o mesmo resultado ou imagem, daí resulta o fato da simetria. Perceba, na imagem acima, que as áreas embaixo das retas (lado esquerdo e direito) são exatamente iguais; é como se a figura da esquerda fosse a parte refletida da figura da direita (e vice-versa). Em cálcu...