Pular para o conteúdo principal

Resenha: "50 pensadores que formaram o mundo moderno", de Stephen Trombley

 

Autor: Stephen Trombley 

Ano da edição: 2014

Páginas: 338

Gênero: Filosofia, história da Filosofia/Sociologia

 

Em seu livro "O Grande Projeto", Stephen Hawking (1942-2018) declarou que a "filosofia está morta". Segundo ele, os cientistas, hoje, são os verdadeiros portadores da tocha do conhecimento. Como também sou estudioso das ciências físicas, entendo qual a perspectiva dele diante dessa afirmação. Nos últimos três séculos, a ciência tem sido a verdadeira mola propulsora do conhecimento humano, especialmente a Física, área no qual Hawking tinha formação. 

No entanto, tal declaração é completamente desprovida de sentido, uma vez que a filosofia é uma atividade que reflete o modo como o homem pensa e busca conhecimento, ou seja, o ato de filosofar é algo que decorre da nossa capacidade natural de racionar e refletir sobre o mundo, e dizer que a filosofia morreu é semelhante a afirmar que o próprio ato reflexivo humano deixou de existir. 

O presente livro tem como objetivo elencar cinquenta pensadores modernos e suas principais contribuições intelectuais para a humanidade. Cada capítulo aborda o trabalho de um pensador diferente, e o texto normalmente também é enriquecido com detalhes da vida pessoal de alguns deles. Tais capítulos são escritos de forma simples e inteligível, mesmo que o obra do Filósofo em questão seja de difícil compreensão, como é o caso de Kant e Hegel, por exemplo. 

Mesmo que o livro seja sobre filosofia (mais especificamente sobre história da filosofia), confesso que esperava encontrar mais nomes da ciência no decorrer da leitura (o autor menciona apenas Einstein e Darwin). Entretanto, isso em nada diminui a qualidade do texto, pois a ideia é simplesmente apresentar uma síntese sobre o pensamento de filósofos modernos como Bertrand Russell, Sartre, Marx, Ayer, William James e muitos outros. 

Conheci alguns pensadores e seus trabalhos através dessa leitura, e recomendo a todos que também buscam um livro introdutório sobre a evolução do pensamento Ocidental nestes últimos três séculos.

 

 

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Método de Separação de Variáveis (EDP's)

  Uma equação diferencial nada mais é do que uma equação que contém derivadas em seus termos. Existem dois tipos de equação diferencial: as equações diferenciais ordinárias , que são aquelas que possuem funções que dependem apenas de uma variável, e as equações diferenciais parciais , cujas funções dependem de mais de uma variável. A 2ª lei de Newton, que matematicamente é escrita como sendo $F = ma$, é um exemplo de equação diferencial. Considerando que a força é a derivada do momento linear em função do tempo e que a aceleração é a derivada da velocidade em relação ao tempo, podemos escrever a 2ª lei de Newton da seguinte forma: $$\frac{\, dp}{\, dt} = m\frac{\, dv}{\, dt}$$ onde a derivada no primeiro membro da equação representa a força resultante e a derivada no segundo membro representa a aceleração. A maioria dos problemas em física envolve a resolução de equações diferenciais. No entanto, dada a complexidade de modelagem dos fenômenos, o número de variáveis envolvidas pode ...

O lado oculto da Lua

  Você muito provavelmente já deve ter ouvido falar no "lado oculto da Lua", ou, mais especificamente, no "lado escuro da Lua". A cultura popularizou esse termo através de filmes, histórias, canções (como o famoso álbum de 1973 de Pink Floyd), no entanto, não é correto falar em lado escuro da Lua, pois ambos os lados são iluminados pela luz do Sol. O que acontece, de fato, é que a Lua possui um lado que não conseguimos ver; repare que, ao longo do mês, sempre vemos a Lua com um mesmo aspecto visual, e isso pode ser melhor visualizado na figura abaixo. A foto da esquerda é a face da Lua que podemos observar. Perceba que a principal diferença entre ambas as faces é o fato de que o lado oculto (foto da direita) possui uma quantidade bem menor das imensas manchas escuras que o lado visível possui, que nada mais são do que registros do passado geologicamente ativo do nosso satélite. No entanto, a dúvida que fica é: se a Lua gira em torno de si mesma, porque vemos apenas ...

Função par e função ímpar

As funções matemáticas podem apresentar uma variedade muito grande de propriedades. Uma propriedade que é muito interessante é chamada de "paridade", que classifica as funções como sendo par ou ímpar. A paridade de uma função nos ajuda a determinar como será o comportamento gráfico dessa função para determinados valores de $x$, pois funções pares exibem uma simetria com relação ao eixo $y$, enquanto funções ímpares possuem uma simetria com relação à origem do sistema cartesiano. Vejamos isso em mais detalhes nos tópicos abaixo. Função par Uma função $f(x)$ é dita "par" se, e somente se, $f(x) = f(-x)$ para todo $x$ referente ao domínio da função. Ou seja, se substituirmos $x$ em $f(x)$ por $-x$, obtemos o mesmo resultado ou imagem, daí resulta o fato da simetria. Perceba, na imagem acima, que as áreas embaixo das retas (lado esquerdo e direito) são exatamente iguais; é como se a figura da esquerda fosse a parte refletida da figura da direita (e vice-versa). Em cálcu...