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Resenha: 40 Fatos para entender o Comunismo



Coleção Conceitos da História 

Ano da edição: 2019

Páginas: 80

Gênero: História/ Sociologia 


Falar sobre comunismo e ideais marxistas é algo que gera bastante debate e controvérsia. A polarização política que marca nossa época inviabiliza qualquer forma de debate crítico e honesto sobre as ideias de Karl Marx (figura abaixo) e aos argumentos que contrapõem sua filosofia. Gostando ou não, o fato é que Marx se consolidou como um dos pensadores mais influentes da modernidade, e esta resenha crítica-descritiva tem como objetivo apresentar, de forma simples e resumida, os principais argumentos e conceitos que sustentam a filosofia comunista. 


Mesmo não sendo especialista no assunto, considero que este livro seja ideal para quem é iniciante no assunto, uma vez que todos os tópicos abordados são apresentados de forma muito simples e clara, o que certamente facilita o entendimento e assimilação por parte do leitor. As 80 páginas do livro estão agrupadas em cinco capítulos, que vão desde a origem das ideias marxistas até o atual momento. As seções de cada capítulo referem-se aos fatos mencionados no título do livro. Ao longo desta resenha, irei mencionar alguns desses fatos, tal como é descrito no livro, e irei comentar brevemente sobre o tópico tratado.

1. Introdução

Hoje, muito se fala sobre comunismo e as consequências de sua adoção por parte de algum país. Esses debates, entretanto, não tangenciam aquilo que Marx e Engels propuseram quase dois séculos atrás, pois seus principais opositores geralmente não demonstram conhecimento sobre o real trabalho desses autores, e isso faz com que suas críticas sejam majoritariamente mais voltadas para deturpações do que por contestações. Mas afinal, do que trata o comunismo? Em linhas gerais, podemos dizer que:

"O comunismo é um ideal político-econômico que visa promover um estado de igualdade entre os indivíduos, ou seja, o conceito de classe social deixa de existir na doutrina comunista, pois é baseada na propriedade comum dos meios de produção".

Perceba que essa definição simplificada vai contra as bases que sustentam o capitalismo, que é o atual sistema econômico vigente, e que foi alvo de grande estudo e crítica por parte de Marx. Segundo ele, o capitalismo, por mais sedutor que seja, não conseguiria se manter por muito tempo, ou seja, Marx entendia que o capitalismo era apenas um sistema transitório e, segundo ele, o comunismo seria a etapa final desse processo de mudança na civilização. 

Para sustentar sua tese, Marx argumenta que grande parte das civilizações antigas viviam sobre uma forma de "comunismo primitivo", e em obras clássicas como "A República", de Platão, é possível encontrar muitas passagens onde o autor defende a ideia de uma sociedade igualitária mantida pelo Estado. 

2. Conceitos Fundamentais

Confesso que não sei onde se deu o início da filosofia materialista de abordar a realidade. No entanto, podemos colocar Marx como um de seus mais notórios expoentes, pois segundo ele, a "existência material precede qualquer ideia, inexistindo possibilidade de pensamento sem existência concreta". Já que, para Marx, a concretude do mundo reside na materialidade das coisa, implica que conceitos como "espírito" perdem o significado. Isso por si só já faria com que a filosofia marxista não adquirisse adeptos da Igreja. A situação ficou ainda pior quando Marx afirmou categoricamente que "A religião é o ópio do povo".

O método que Marx e Engels criaram para analisar a realidade social ficou conhecido como materialismo histórico. Segundos os autores: "A estrutura econômica da sociedade condiciona as suas formas jurídicas, políticas, religiosas, artísticas ou filosóficas. Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, ao contrário, são as relações de produção que ele contrai que determinam sua consciência".

O processo de exploração do trabalhador por parte dos proprietários é conhecido como mais-valia. O único bem que o proletário têm a oferecer na esfera produtiva é a sua força de trabalho. No entanto, segundo Marx, o sujeito que se submete a uma jornada de trabalho de, digamos, 8 horas diárias, produz o equivalente a seu salário em 5 horas de trabalho. O tempo restante, portanto, seria apropriado pelo capitalista com o intuito de aumentar seus lucros, e é daí que vem a questão da exploração da mão de obra assalariada. 

Outro conceito bastante presente na filosofia marxista é o de alienação, que é a situação em que um trabalhador (proletário) perde a noção das condições em que está inserido. A consciência de classe é o principal recurso que possibilita ao cidadão evitar a alienação, pois classes sociais diferentes possuem estilos de vida diferentes, e um pobre achar que pode viver de acordo com o padrão de vida de um rico é no mínimo risível, pra não dizer que é suicídio (financeiramente falando). Muito mais do que um simples recurso para identificar classes, o conceito de luta de classes, segundo Marx, é o próprio motor que move os acontecimentos históricos.

Até aqui, acredito que eu tenha conseguido dar um panorama geral da teoria marxista, mesmo que de forma breve. Não abordarei os demais pontos, e deixarei para que o leitor usufrua do conteúdo do livro, que é fácil e rápido de se ler.



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